domingo, 16 de agosto de 2009

Terceira Parte

Efusão de palavras pessoais que sinalizam um estado particular



Todas as experiências são válidas, por mais banais que elas sejam sempre te darão um acréscimo de sabedoria para futuras vivências. Ao decorrer do caminhar, alcançará uma premissa tão granítica que até o pior dos castigos,a saudade, será enfrentada com a astúcia que nunca pensou que teria.Ela nos ensina que há momentos que as lágrimas são necessárias,que se não comemos,nem agimos de acordo com nossa rotina é porque ainda machuca,a ausência ainda nos torna dependente.Tento transformar esses sentimentos, não deixar que eles me dominem, uso-os como matéria-prima para reconstruir minha vida.Cobrir de cores deterministas e fulgurantes a capa fúnebre que me cobria.Escrevendo na parede da minha mente palavras dos terceiros,desenhando seus rostos e rindo involuntariamente de nossas aventuras.Tenho-os comigo,todos.Inclusive você meu Amigo,meu único.

Segunda Parte

Simulacro da subserviência desesperadora


Depois de ter escrito-as com meu sangue em pedaços do meu corpo com lagrimas da minha alma, eu me senti fraco. Debilitado para crer.Crer no amor que eu nunca soube,que eu nunca senti,que apenas minha amiga, a solidão, ensinou-me a idealizá-la.Foram golpes profundos, retalhadores,mortais que me proporcionaram uma segunda morte.Vaguei como um zumbi,procurando carne para alimentar,minha insensatez,minha rejeição.Mas eu acordei, eu vi que a vida nos deteriora com seus acasos,demora um tempo sim para conseguir remontar cada peca do espelho,cada fragmento.Mas um dia será feito.Eu aceitei a ficar do teu lado, porque sabia que o teu espelho ainda estava quebrado, eu sabia a razão que o levou a quebrá-lo e sabia que cada atitude sua foi decorrente disso.Assim como o amor, a felicidade e um sentimento inexplicável.E foi o limpar dos seus dedos de sangue,de ajudar a colar cada fragmento, de segurar tua mão e orientá-lo que me fazia feliz.Feliz ao ver o seu sorriso por saber que eu estava presente.Sei que se sente só,fraco e sujo,mas somos humanos.Aprendemos.Mudamos.Espera meu querido.O mesmo deus que leva teu anjo de ti, e aquela que me trouxe o meu presente,o meu divino.
Fica bem ,ta?
Te amo muito.

Primeira Parte

Atestado de óbito em vida.



Surpreendo-me a cada momento, a cada convívio, a cada olhar curioso.Não pensei que aquela atmosfera nublada,com gotas que se esforçavam para traçar o caminho de encontro da nossas palavras, seria o cenário ideal para minha personificação.Tudo o que eu lhe dei e continuo, e um acervo de coisas novas que sempre permaneceram exiladas em um baú.A luz, esse amarelo sinaliza algo,certo?Será um caminho?O desfilar de novos passos? O condensar de sonhos?O amplificamento destes? Para mim tornou-se mais que isso. Uma doença nova que surge, me fazendo sangrar, entorpecendo-me, viciando-me,dando-me vida... E como uma nova doença, a cura necessitara de um custeamento exacerbado para se descobrir a cura.
Fique bem meu AMIGO.

Ps.: Por que quero eu ser curado?Quando ela me levará sempre a morte. A um abraço longo e cálido a morte.

Notas de um solstício prolongado





Há um fenômeno que ocorre na Antártida, devido a sua

posição geográfica, onde o dia dura seis meses e, posteriormente, segue-se a absoluta noite de seis meses.

As dez notas que aqui se seguem, retratam um pouco o comportamento do pensar humano em sua própria noite semestral, representando de forma atemporal o sinal que sempre deve ser lembrado.






La Belle Personne.


Um filme poderia ser apenas um rosto, pois a essência não se constitui efetivamente nas palavras, ma sim naquilo que não poder ser verbalizado-seja o literário olhar ou a densidade dos gestos.

As leis da física podem ser alteradas?É possível que à meia-noite exista um sol amarelo que reverbere impetuosamente? Se Honoré fez Garrel- o Jean Pierre-Léaud da atual França- apaixonar-se devotamente por uma aluna e mergulhá-lo em sua impossível e trágica relação, o que não mais é possível?

Pode parecer mais uma citação e homenagem, mas o fato é que se tornou algo vivo, sublime, sem receio que a sua exposição o torne banal e vazio. Refiro-me caro leitor, a essa inevitável cópula entre o concreto e a sua transparente abstração.


Diálogo entre Junie e Nemours:

-Não tenho vergonha de conversar francamente. Eu pensei que houvesse uma coisa que você gostasse em mim. Minha franqueza. Imaginar que você pode não mais me amar é muito pior para mim do que aquilo que você chama de regras que eu fiz para mim mesmo. Eu sei que somos duas pessoas, então como qualquer um, nós podíamos estar juntos. Mas por quanto tempo? Se nós somos duas pessoas normais, por quanto tempo nosso amor vai durar?Amor eterno não existe, nem mesmo nos livros. Então amar significa por um tempo determinado. Seria um milagre para nós. Não somos diferentes de nenhuma outra pessoa. Otto é o único cara que vai me amar a vida toda. Pode soar bobo, mas é quase verdade. Se eu me der para você, eu vou explodir.

-Você não confia muito em mim, então.

-Eu não sou boba. Você é lindo. Todos gostam de você. Você conhece várias garotas... Eu conheci pelo menos duas delas. Assim como com elas, um dia, você vai partir para amar outras que você achar mais agradáveis. E eu não sobreviverei. Sem contar os ciúmes. O estado que a carta me deixou... Eu sempre pensei que você fosse amado, e estivesse amando outra pessoa. Talvez eu fosse capaz de perdurar minha tristeza... outros também.

-Não vai funcionar, Junie. Você não pode resistir sozinha a esse amor.

Porque eu estou armado. E não vou deixar você fazer isso.

[...]

- Junie Partiu ontem à tarde.

-Para onde ela foi?

-Não posso te contar. Ela foi para longe. Você não deve esperar por ela. Ela disse para não repassar nenhuma notícia, que não quer ouvir falar de você nunca mais.

-Obrigado...


Canção “Comme La Pluie” de Alex Beaupain:

Como a chuva nos faz falta por vezes.
Quando o sol nos mata
Quando seus raios nos parecem frios
Quando não se ama mais.

[http://www.youtube.com/watch?v=Ms3ueXukFrE]



Irreal, mas verídico



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Ontem me apaixonei, fulminantemente, de novo. Mas, dessa vez, minha inocência já tinha sido mandada para a pura realidade que a pariu.

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