quarta-feira, 25 de maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

You and I

O (não) esperado reflexo da possibilidade sobre a imagem da pessoa amor

"Desenganada antes do tempo, vomito sobre os sentimentos artificiais. O que a gente chama de amor é apenas o álibi consolador da união de um perverso com uma puta, é somente o véu rosado que cobre o rosto assustador da Solidão invencível. Vesti uma carapaça de cinismo, meu coração é castrado, sou a Dependência lamentável, a zombaria do Engodo universal; Eros com uma foice enfiada na sua alcova. Amor, isto é tudo que a gente encontrou para alienar a depressão pós cópula, para justificar a fornicação, para consolidar o orgasmo. Ele é a quintessência do Belo, do Bem, do Verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima a sua existência mesquinha. Os escritores prediletos, o mal estar de viver, o porquê de sair todas as noites, a primeira noite, seguida de outras mis, não ter mais nada o que dizer, foder pra preencher os vazios, perder até a vontade de foder, se afastar, mas ficando mesmo assim junto, brigar, se reconciliar escondendo que, no fim, existe o tudo e o nada, ir foder com outras, e depois mais nada. Sofrer..."

PILLE, Lolita. Hell Paris 75016.

Les Yeux au Ciel



L`amour, qu`est-ce que ça?

sábado, 7 de maio de 2011

A coragem após o vislumbre

"Shadow tinha incendiado o Innocence. Tinha executado seus próprios pais. Por causa dela. À noite, ele se encontrava com garotas parecidas com ela em quartos de hotel. Não adiantava fugir sem deixar endereço. Ele iria encontrá-la. Ela foi visitar o irmão na prisão. Ela lhe falou, ela lhe suplicou. Blue arrancou de Shadow sua própria libertação. Nunca mais retornou os telefonemas do irmão, cujo amor a aterrorizava. A insanidade de Shadow fora apenas uma reação a um passado que, até a mais tênue lembrança, ela queria destruir dentro de si. Ele, num certo sentido, o simbolizava. Ele era o passado.

Ela queria seguir em frente. Ela queria viver. Houve um tempo, um período muito curto, logo após sair do Labos, uma zona de transição em que sua lucidez começou a se manifestar, onde ela havia compreendido que o pesadelo tinha acabado. Mas, para ela, o término do pesadelo significava também o fim do que ela conhecia. Ela se viu despojada, entregue à sua própria vontade, e não sabia o que fazer com essa súbita liberdade. Não sabia como se sobrevivia nesse mundo exterior de horrores atenuados. Ela não percebia seus atrativos. Tinha pensado em desistir. Em sequer tentar. Tinha pensado em morrer.

Mas numa noite, em meio a uma multidão barulhenta e suada, num ginásio que reabria em horas não muito regulamentares, a única atração que ela pensava jamais poder encontrar neste novo mundo lhe fora revelada com a força e o brilho de uma epifânia.

Uma vertigem...".

Lolita Pille- só podia ser ela. Cidade da Penumbra ( Crépuscule Ville). Trecho.