sábado, 11 de dezembro de 2010

The relative power of humanity


Kanye West-Power

I'm livin' in the 21st century

Doin' something mean to it

Do it better than anybody you ever seen do it

Screams from the haters, got a nice ring to it

No one man should have all that power

The clock's tickin', I just count the hours

Stop trippin', I'm trippin' off the power

'Til then, fuck that, the world's ours

Now this'll be a beautiful death

Jumpin' out the window

Lettin' everything go

Lettin' everything go

You got the power to let power come



My Boy Build Coffins-Florence and The Machine

My boy builds coffins with hammers and nails

He doesn't build ships, he has no use for sails

He doesn't make tables, dresses or chairs

He can't carve a whistle cause he just doesn't care

My boy builds coffins for the rich and the poor

Kings and queens they've all knocked on his door

Beggars and liars, gypsies and thieves

They all come to him 'cause he's so eager to please

My boy builds coffins he makes them all day

But it's not just for work and it isn't for play

He's made one for himself

One for me too

One of these days he'll make one for you

My boy builds coffins for better or worse

Some say its a blessing, some say its a curse

He fits them together in sunshine or rain

Each one is unique, no two are the same

My boy builds coffins and I think it's a shame

That when each one's been made, he can't see it again

He crafts everyone with love and with care

Then its thrown in the ground and it just isn't fair

My boy builds coffins he makes them all day

But it's not just for work and it isn't for play

He's made one for himself

One for me too

One of these days he'll make one for you

“The song is about death being the great equalizer. Everyones going to die and then we shall all be in a coffin made by the same guy. We spend our whole lives trying to seperate ourselves and trying to put ourselves above others but in the end we all end up the very same. And the coffin builder knows this and thats why he only builds coffins, because he knows thats the only thing that he can give to everyone no matter who they are.”.



sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Coração Vagabundo (terceira parte)


"(...)Essa mulher é incontestavelmente infeliz, embora, depois de tudo, os prazeres da glória não lhe sejam desconhecidos. Existem infelicidades mais irremediáveis e sem compensação. Mas no mundo onde ela foi jogada, jamais pode crer que a mulher merece outro destino. Agora nós dois, cara preciosa, aos ver os infernos que povoam o mundo, o que você quer que eu pense do seu inferno bonitinho, você que não repousa senão sobre macias almofadas(...) e essa infatigável melancolia, feitas para inspirar no espectador nenhum outro sentimento que não seja de piedade? Em verdade as vezes tenho vontade de lhe ensinar o que é a verdadeira infelicidade.".

A Mulher Selvagem e a pequena amante, Baudelaire.


Coração Vagabundo (segunda parte)

“Todo esse tempo, todos esses rostos, todos esses gritos de gozo, esses abraços sem alma de manhazinha, quando não é noite nem dia, o seu orgasmo termina então, e seus olhos se descerram, seu quarto é apenas um puteiro, Baudelaire está morto, e quem está nos seus braços é simplesmente uma puta...”.

HELL, Lolita Pille.



Coração Vagabundo (primeira parte)


Os raios da manhã invadiam o chão do apartamento, o que deixava mais claro e reverberante o rastro de podridão dos sibaritas em mais uma festa. Os convidados já tinham partido, mas a música permanecia em um novo ritmo, indo de acordo com o ato seguinte.

Meus olhos o crivavam de desejo, desbravando cada parte do seu corpo. Suas vestes só me davam mais excitação, pois assim eu podia pluralizar minhas sensações e fixá-los em minhas fantasias para aquele momento. Ele me retribuía o mesmo olhar, porém á sua maneira, de feições agressivas e predatórias, como se o “eu vou te destruir”, fosse o que seus olhos dissessem. E, se porventura os li de maneira correta, era exatamente isso o que eu queria.

Eu sabia que estava presa num redemoinho de passos mecanizados feitos por mim mesma, os quais não seguiram o comando e o discernimento de minha mente. Foi o desejo, a necessidade, o vazio, o nada, que parece só se expandir dentro de mim, mais e mais, o causador. Tudo isso me inquieta, me desestrutura em uma fragilidade a qual particularizo. A situação já tinha chegado a um patamar sem possibilidades de retroagir, e a única coisa que eu poderia fazer era lutar. Lutar por um pouco de prazer casual.

No entanto, eu tentei fugir. Fiz de propósito, pois sabia que ele, audaz, me bloquearia a qualquer custo e, quando o fizesse, estaria mais voraz e firme. Dessa maneira, eu finalmente poderia cansar dos joguinhos instigantes e me entregaria para ele. Sem receios, sem pudor e sem limites. Felinos durante seu coito, em que o macho conduz o posicionamento da fêmea quando a fricciona com suas longas e curvadas patas de unhas retráteis e sua fatal mandíbula, se pareciam conosco enquanto nossos corpos latejantes devoravam um ao outro com efervescência. Contribuíamos para emporcalhar cada vez mais aquele chão maculado. Por fim, queimaríamos esse nosso paraíso e seus vestígios matérias de mais um evento com causa comum e objetivo inalcançado. Assim, seriamos expulsos do suposto Éden, voltando a ser livres para disseminar e frutificar esse imperecível sentimento sibarita que nos é inerente.

Mas até quando, Alice... ?


Embebedai-vos


"É preciso estar-se, sempre, bêbado. Tudo está lá, eis a única questão. Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa. Mas embebedai-vos.

E se, às vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a grama verde de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, vós vos acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão: “É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.”


Charles Baudelaire.